Seu trabalho não é sua identidade
Uma crítica pode apontar falhas em uma apresentação, decisão ou projeto sem definir a competência ou o valor de quem os realizou. Separar o que fazemos de quem somos reduz interpretações pessoais e permite receber feedback com mais equilíbrio.
Uma das coisas mais difíceis da vida profissional é receber uma crítica sem transformá-la em algo pessoal.
Mas onde será que está o real problema?
Talvez seja porque não ouvimos apenas o que foi dito, ouvimos também o que imaginamos que foi dito, inferimos.
Alguém comenta que “a apresentação não ficou boa” e nossa cabeça escuta “você não é bom o suficiente”.
Se a mensagem é “essa proposta precisa melhorar” nossa cabeça traduz para “você é incompetente”.
Com o perdão dos extremos que usei nos exemplos, eu já fiz isso algumas vezes. Talvez ainda vá fazer de novo.
O problema é que trabalho e identidade costumam se misturar mais do que gostaríamos.
Passamos anos estudando, construindo uma carreira, acumulando experiências, formando reputação. Somos orgulhosos de nossas conquistas.
Aí algo que fazemos é criticado e parece que a crítica atravessa o trabalho e acerta quem somos, em cheio.
É um exercício constante…
Uma apresentação pode ser ruim, a decisão equivocada. Um projeto pode (e vai) falhar.
Mas isso não me transforma em um profissional ruim.
E ainda tem o outro lado: o que acontece em casa chega ao trabalho, tanto quanto o que acontece no trabalho frequentemente volta para casa.
Porque eu saio de casa para o trabalho e depois faço o caminho inverso todos os dias.
Sou uma pessoa só, única.
Não duas.
Talvez seja por isso que algumas críticas machucam mais do que deveriam.
Nem porque sejam verdadeiras nem porque sejam injustas.
Porque, de vez em quando, esquecemos que uma crítica ao que fazemos não é necessariamente uma crítica a quem somos.
Enfim, uma crítica ao seu trabalho merece reflexão, mas raramente uma crítica ao seu trabalho é uma crítica à sua identidade.