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Não transforme opinião em reputação

14 de julho de 2026 2 min de leitura

Uma impressão pessoal não deve se tornar uma narrativa coletiva que antecipa julgamentos e contamina relações profissionais. Cada pessoa merece ser avaliada pela convivência e pelo próprio trabalho, não por reputações herdadas de terceiros.

Não transforme opinião em reputação

Você não precisa gostar de todo mundo com quem trabalha.

Eu certamente não gosto e, imagino, você também não.


Algumas pessoas têm estilos diferentes, prioridades diferentes. Formas diferentes de se comunicar.


Acontece.


Nada disso é problema. O problema começa quando a opinião deixa de ser sua e vira uma campanha.


Já viu isso acontecer?


A pessoa não gosta de alguém, e está tudo bem.

De repente, aos poucos, começa a compartilhar essa opinião.

Primeiro em uma conversa, depois em outra, e mais uma…

Sem perceber, outras pessoas passam a conhecer aquele profissional antes mesmo de trabalhar com ele.


O cruel é que não conhecem pelo trabalho, conhecem pela narrativa.

"Complicado.", "Difícil de lidar.", "Não confio muito.", "Você vai entender quando trabalhar com ele."

E pronto: uma reputação começa a ser construída.


De novo: não por experiência própria, mas por transferência.


Não costuma acontecer com intenção declarada de prejudicar alguém, acontece a partir de uma simples conversa, uma observação ou comentário. Até um olhar diferente.

E, quando comentários se acumulam, a percepção se acumula.

Então surgem rótulos, que seguem a onda e se acumulam.


Até o momento em que ninguém mais sabe exatamente onde termina a experiência real e onde começa a história que foi sendo contada.


Tem profissionais que carregarem reputações por anos. Algumas são merecidas, quero crer, mas outras são herdadas.


E existe uma diferença enorme entre as duas: uma reputação construída pela convivência é uma coisa, uma reputação construída por terceiros é outra completamente diferente.


Por isso eu tenho uma regra simples: Se eu não gosto de alguém, tudo bem.

Prefiro que as outras pessoas tenham a oportunidade de formar a própria opinião.


Afinal, eu também gostaria que fizessem o mesmo por mim.