Ninguém te chamou de gerente, mas é você que decide tudo agora
Responsabilidade de liderança cresce mês a mês sem título, sem aumento e sem data marcada para virar oficial. A demora em nomear o cargo tem função: testar sem comprometer, e adiar sem parecer que está adiando.
Ninguém te chamou de gerente.
Mas é você que aprova a escala, resolve o imprevisto do cliente, decide quem fica no projeto difícil e explica pra diretoria por que o número não fechou.
Conhece essa sensação?
Aconteceu devagar. Primeiro foi "só enquanto o Fulano está de licença".
Depois virou "já que você já está fazendo mesmo".
Depois ninguém mais lembrava que era temporário.
E, já que está, deixa ficar...
É fácil entender o motivo.
Promoção formal custa caro: novo salário, novo título, um risco que vira compromisso escrito. Deixar por "enquanto isso" custa nada. E "enquanto isso, alguém decide sozinho se aquilo era mesmo desempenho de gestor ou só um favor grande demais.
Pois é.
O problema não é assumir mais, é assumir mais sem ninguém nomear o que está acontecendo. Porque enquanto não tem nome, não tem data pra virar oficial. E o que não tem data tende a nunca chegar.
Eu já vi gente broxar de tanto esperar "o momento certo" pra puxar essa conversa. Achando que, se entregasse ainda mais, alguém ia perceber sozinho e vir com a proposta pronta.
Raramente vem.
Não porque a empresa esteja agindo de má-fé. Na maioria das vezes é só isso mesmo: se ninguém cobra, o custo de não decidir é zero pra quem deveria decidir.
Na prática não deve haver dúvidas de que há merecimento, porque se perdurou, então isso já ficou claro. E dá prá ver na entrega, no dia a dia.
Mas quem vai nomear isso?
E quando?