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A decisão já tinha sido tomada antes. A reunião só existiu pra IA fazer a ata.

19 de agosto de 2026 2 min de leitura

Decisões corporativas relevantes vêm sendo fechadas informalmente antes da reunião oficial, que passa a existir apenas para gerar registro formal e permitir que a IA produza a ata. O ritual perde a função original e vira teatro documentado.

A decisão já tinha sido tomada antes. A reunião só existiu pra IA fazer a ata.

A decisão, como sempre, já tinha sido fechada no corredor, na conversa de café, no grupo de WhatsApp da diretoria.


A reunião existiu só pra ter registro. E a IA gerou a ata bonitinha, com tópicos, com responsáveis, com prazo.


De quantas reuniões você já participou sabendo, no fundo, que nada ali seria de fato decidido?


E aí, veja: a ferramenta funcionou perfeitamente. A ata saiu impecável, estruturada, cada um com sua ação definida. O problema não foi a tecnologia.


O problema foi que a reunião virou teatro documentado.


Porque antes, quando a decisão nascia de verdade numa sala com todo mundo junto, a reunião tinha função: alinhar visão, ouvir discordância, ajustar antes de bater o martelo. Agora, com a decisão já fechada informalmente, a reunião serve só pra deixar tudo bonito no papel.


E a IA, competente como é, registra a encenação com a mesma qualidade que registraria uma decisão real.


Acho isso realmente perigoso porque cria a ilusão de que o processo está funcionando. A ata existe, está formatada, parece rigor. Só que o rigor real, que é discutir antes de decidir, já morreu bem antes daquela sala abrir.


Não é a IA que criou esse problema, ela só ficou muito boa em documentar um ritual que já estava esvaziado há tempos.


Ninguém quer saber se a ata foi bem escrita, o importante é se a decisão registrada ali nasceu naquela sala ou só passou por ela.


Post-mortem: Não vou nem falar das reuniões que não decidem o que precisava ser decidido, das reuniões que são feitas para marcar a nova reunião, das reuniões que poderiam ser um e-mail...