A empresa congelou os reajustes para evitar demissões. E quem explica isso ao funcionário?
A Zoho suspendeu os reajustes salariais habituais de 2026, alegando aumento de custos e a necessidade de evitar demissões em massa. A decisão expõe um dilema de gestão: preservar empregos pode ser necessário, mas não elimina a frustração dos funcionários nem a dificuldade dos gestores que precisam comunicar e administrar suas consequências.
A Zoho decidiu não conceder os reajustes salariais habituais em 2026. A justificativa? Reduzir custos para tentar evitar demissões em massa.
A empresa tem mais de 19 mil funcionários e, segundo seu cofundador, Sridhar Vembu, está há 18 meses sem aumentar o quadro de pessoal.
Segundo Vembu, os custos de servidores quadruplicaram, o uso de IA está aumentando as despesas de infraestrutura e o cenário para as empresas de software está bastante incerto.
A empresa também cortou gastos com marketing.
E, de verdade, consigo entender a decisão.
Se o orçamento está pressionado e a alternativa pode ser demitir pessoas, preservar os empregos a mim me parece uma escolha razoável. Principalmente porque ninguém sabe exatamente como estará o mercado daqui a seis meses.
Só que... imagine estar do outro lado.
Você trabalhou o ano inteiro, entregou os resultados combinados, assumiu novas responsabilidades e estava contando com aquele reajuste que normalmente acontece todos os anos.
Aí recebe a notícia de que não haverá aumento porque a empresa precisa proteger os empregos.
Você entende o motivo. Entender a motivação, entretanto, não elimina a frustração.
Mas, veja você um pequeno detalhe.
Quem faz as contas é a diretoria. Ela também avalia os riscos e toma a decisão.
Quem vai precisar explicar tudo isso individualmente, ouvir as reclamações e tentar manter o time motivado é o gestor direto.
O mesmo gestor que, talvez, tenha passado os últimos meses cobrando resultados, fazendo avaliações de desempenho e conversando sobre desenvolvimento profissional.
Agora é ele mesmo quem precisa explicar por que uma boa avaliação não vai se traduzir no reajuste esperado.
Sabe aquele "você foi ótimo, mas infelizmente...".
E como dizer isso sem desvalorizar o trabalho e esforço já aplicados?
Tenho certeza que a transparência ajuda bastante, mas também tem limite. Explicar que os custos aumentaram não elimina a frustração de quem estava contando com aquele dinheiro.
E dizer que a decisão foi tomada para preservar empregos também não garante que eles serão preservados. Como já dito, não sabemos como estará o mercado em seis meses.
A Zoho pode estar fazendo a escolha mais responsável para o momento e nós não conhecemos suas contas para afirmar o contrário.
Mas também não sabemos se o congelamento será suficiente para evitar demissões.
A parte mais difícil dessa decisão deve ser justamente reconhecer as duas coisas: a empresa pode precisar economizar e o funcionário pode ter toda a razão de estar insatisfeito.
Uma coisa não invalida a outra.
E o gestor que está no meio dessa conversa precisa conseguir reconhecer ambas, mesmo quando não tem uma solução para oferecer.
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