A empresa cortou a vaga remota e agora tenta trazer de volta quem já foi embora
Empresas que impuseram volta obrigatória ao escritório perderam parte relevante de quem se recusou a voltar, e agora enfrentam a lacuna que a própria decisão criou. A pressão pela presença física raramente vem acompanhada de uma resposta clara sobre por que ela precisa acontecer.
"Todo mundo de volta ao escritório, cinco dias por semana."
Saiu o comunicado, várias empresas grandes fizeram isso em 2026, e uma parte boa de gente simplesmente não voltou. Pediu demissão, procurou outro lugar, preferiu perder benefício a perder a rotina que tinha montado.
Você conhece alguém que fez essa escolha?
E agora, um tempo depois, tem empresa tentando recontratar justamente quem perdeu com a decisão de trazer todo mundo de volta.
Interessante, não é?
E isso aconteceu, no mais das vezes, porque ninguém explicou o motivo. Por que, exatamente, precisa ser presencial?
Pra decidir junto, pra resolver conflito rápido, pra formar quem está começando agora? Faz sentido.
E eu, particularmente, concordo: esses motivos existem.
Só que o comunicado raramente vem com o motivo. Vem só com a regra.
E aí quem cumpre a regra sem entender o porquê fica ressentido, e quem discorda vai embora. Sobra, no fim, um time que voltou pro prédio, mas não voltou pro propósito da coisa.
E o gestor que nunca avaliou se a presença gerou melhores reuniões, decisões mais rápidas e mentorias mais efetivas está comemorando a "taxa de presença no crachá. Sinceramente!
Prédio cheio não é a mesma coisa que time funcionando junto.
E a empresa que perdeu gente boa nessa imposição agora descobre que trazer de volta quem já foi embora custa muito mais do que teria custado explicar direito, desde o início, por que aquilo importava.
E me pego pensando quantos outros assuntos deveriam ser comunicados junto com o motivo...