A empresa lucrou, cortou gente e chamou isso de eficiência
Cortes de pessoal em empresas lucrativas vêm sendo justificados como ganho de eficiência trazido pela IA, mesmo quando a adoção real da tecnologia ainda está em estágio inicial. A conta certa nunca aparece publicamente: quanto da demissão é IA de fato e quanto é apenas redução de custo com nome mais bonito.
A empresa lucrou. Cortou mil pessoas. Isso é eficiência trazida pela IA.
Bem, ao menos é esse o nome que deram.
"Eficiência trazida pela IA". Já reparou como essa frase virou padrão em 2026?
Eu entendo por que ela é atraente. "Cortamos porque a IA fez o trabalho" soa muito melhor do que "cortamos porque o trimestre precisava fechar diferente". Uma frase parece futuro. A outra parece o que sempre foi: corte de custo.
Quanto daquele corte é IA mesmo, rodando processo, substituindo tarefa de verdade?
E quanto é só… corte, com um nome mais bonito emprestado da tecnologia da vez?
Porque, verdade seja dita, tem empresa demitindo gente de área que nem começou a usar IA direito ainda. O projeto tá em piloto, a ferramenta homologada mal rodou o primeiro mês, mas o anúncio já saiu com a palavra certa dentro.
E funciona. O mercado gosta de ouvir "estamos modernizando", gosta menos de ouvir "estamos cortando pra melhorar margem".
O problema não é a IA substituir trabalho. Isso vai acontecer, em parte já está acontecendo, e fingir que não é ingenuidade.
O problema é usar isso como cortina pra decisão que já ia acontecer de qualquer jeito, com ou sem tecnologia nenhuma envolvida.
Porque quando todo corte vira "eficiência de IA", a gente perde a capacidade de distinguir o que é transformação real do que é só desculpa nova pra decisão antiga.
E, ao invés de incentivarmos o uso de IA, com esse comportamento nós apenas criamos barreiras.