A geração que pediu home office agora está pedindo mesa no escritório
Pesquisas recentes mostram a Geração Z relatando o dobro de solidão no trabalho em comparação à Geração X, revertendo a narrativa de que os jovens preferem o trabalho remoto. O problema nunca foi a localização física, mas a ausência de conexão real com quem tem mais experiência.
Lembra quando a pauta era que a geração jovem só quer trabalho remoto, não aguenta escritório, não aguenta chefe olhando por cima do ombro?
Agora, virando o jogo, uma pesquisa recente mostra quase trinta por cento da Geração Z relatando ter se sentido solitária no trabalho, o dobro do que a Geração X relatava. Solitária trabalhando de casa, sozinha, na tela, no silêncio do próprio quarto.
Isso não é interessante? A geração que "supostamente" odiava presença física é a mesma que está sentindo mais falta dela.
Gostar do escritório não está virando modinha, está virando é consequência.
Mas... como assim?
Acontece que o trabalho remoto resolveu o problema de trânsito, resolveu o problema de horário rígido, resolveu problema até da roupa. Só que criou um problema novo, que ninguém tinha calculado que podia acontecer: isolamento, dificuldade real de aprender com quem tem mais experiência sentado do lado, sensação de nunca fazer parte de nada maior que a própria tela.
Pois é. Acho que a gente estava tentando resolver o problema errado, o da localização física, e ignorando o problema certo, o da conexão real entre as pessoas.
Já reparou que ninguém perguntou pro jovem que entrou na carreira durante a pandemia como foi aprender a profissão sem ter alguém do lado pra corrigir, orientar, mostrar o caminho fora do manual?
Acredito que não era para tentarmos escolher entre o escritório e nossa casa. Era, e continua sendo, garantir que exista gente de verdade por perto, presencial ou não, disposta a formar quem está começando.
Com ou sem escritório físico no meio do caminho.