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A meta de IA virou bônus de gestor, e ninguém perguntou pra quê

13 de agosto de 2026 1 min de leitura

Metas de adoção de inteligência artificial entraram em avaliações de desempenho e bônus de liderança antes de qualquer problema real ter sido identificado, criando pressão para usar a ferramenta sem clareza sobre o que ela deveria resolver. Uso forçado sem dor por trás produz número bonito e resultado raso.

A meta de IA virou bônus de gestor, e ninguém perguntou pra quê

Virou meta, até compõe bônus: 80% do time usando a ferramenta de IA até o fim do trimestre.


Entendi, usando. Mas pra resolver o quê, exatamente?


Você está vivendo isso agora? Boa sorte.


Porque meta de adoção sem dor por trás vira isso: todo mundo abrindo a ferramenta uma vez por semana só pra contar como usuário ativo. Ninguém perguntando se aquilo resolveu alguma coisa de verdade.


E o gestor, coitado, também não tem culpa total. Ele também está sendo cobrado pelo número. Então ele cobra o número de quem está abaixo dele. E a pirâmide segue assim, todo mundo perseguindo uma estatística que ninguém amarrou num problema concreto.


Diferente de quando alguém chega com uma dor de verdade: "essa etapa demora três dias e devia demorar três horas". Aí sim a ferramenta entra pra resolver isso. Aí o número de adoção vem de graça, como consequência, não como meta em si.


Meta de uso sem dor real é meta pela metade.


Porque é fácil fabricar um número bonito de adoção, quero ver é fabricar valor de verdade.


E, no fim do trimestre, o slide vai mostrar 80% de adoção, todo mundo vai bater palma na reunião, e ninguém vai perguntar o que realmente importava desde o início: adoção de quê, pra resolver o quê?