A Miranda Priestly foi cancelada. Mas o sistema que a criou continua lá.
Todo mundo saiu do cinema pronto para condenar a Miranda Priestly. Poucos saíram prontos para se reconhecer nela.
A Miranda Priestly foi cancelada. Mas o sistema que a criou continua lá.
Todo mundo saiu do cinema pronto para condenar a Miranda Priestly. Poucos saíram prontos para se reconhecer nela.
Em 2026, ninguém se identifica com a liderança pelo medo. O vocabulário mudou. Hoje é empático, humanizado, psicologicamente seguro. As apresentações de cultura têm cores bonitas e frases sobre pertencimento.
Mas a meta continua impossível. A pressão continua chegando de cima e sendo repassada para baixo. A pessoa que discorda ainda paga um preço por isso. Só que agora o processo vem embalado em feedback estruturado.
A Miranda usava o casaco. A versão de 2026 usa a linguagem certa.
Isso não é evolução de liderança, mas sim evolução de estética.
Só estética.
Mudar o estilo é fácil. Mudar a cultura exige mexer no que ninguém quer tocar: nas decisões que acontecem quando ninguém está olhando.
Em quem é promovido.
Em quem é silenciado com gentileza.
Em como a empresa reage quando alguém aponta um problema real.
A Miranda Priestly era legível. Você sabia exatamente onde estava.
O perigo do oposto performático é justamente esse: é harder to see, harder to name, harder to leave.
Já se perguntou sobre o ambiente que você está construindo (ou tolerando?) agora?