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A sala de amamentação já existe. E depois?

25 de agosto de 2026 2 min de leitura

Benefícios como licença estendida, auxílio-babá e sala de amamentação resolvem apenas a parte visível da equidade de gênero na liderança, enquanto a avaliação de desempenho e a distribuição de oportunidades continuam penalizando quem usa esses recursos. A equidade real se mede depois que a porta já abriu, não no discurso de quem a construiu.

A sala de amamentação já existe. E depois?

Licença estendida, auxílio-babá, sala de amamentação.

Tudo isso já existe em muita empresa boa por aí.


E, olha, isso importa, de verdade. Ninguém deveria discordar disso.


Mas fico pensando numa coisa: o que acontece com quem usa esses benefícios, na hora de decidir quem vai liderar o próximo projeto grande?


Isso me preocupa.


Porque é perfeitamente possível ter sala de amamentação linda no escritório e, ao mesmo tempo, anotar mentalmente que aquela profissional "saiu muito esse ano" na hora de fechar a promoção. É possível ter licença estendida no papel e, na prática, já ter preenchido a vaga dela informalmente enquanto ela ainda estava fora.


O benefício resolve a parte visível, a parte que aparece no relatório de RH, na campanha de marca empregadora, no post bonito sobre diversidade.


A parte que não aparece é: quem decide quem sobe não costuma escrever "descontei pontos porque ela tirou licença", ou, talvez pior, "porque ela pode engravidar". Isso nunca vai constar em avaliação nenhuma. Mas acontece, sinceramente, na cabeça de quem decide, silenciosamente, sem intenção maldosa nem nada.


Não é sobre construir mais estrutura de apoio.


É sobre o que acontece depois que a estrutura já existe.


Porque toda empresa consegue anunciar um benefício novo, mas poucas conseguem garantir que ele não vai custar caro pra quem usar.


A equidade de verdade não se mede pela sala que foi construída.


Se mede pelo cargo que essa pessoa ainda vai ocupar, três anos depois de ter usado a sala.