A vaga pedia três anos de experiência numa ferramenta que só existe há oito meses
Descrições de vaga passaram a exigir anos de experiência em ferramentas de IA recém-lançadas, revelando que os requisitos são copiados de modelo antigo sem checar se fazem sentido para a tecnologia da vez. O print da vaga circula como piada, mas expõe um problema real de recrutamento fora de sincronia com o próprio ritmo que a empresa diz valorizar.
A vaga pedia três anos de experiência comprovada na ferramenta.
A ferramenta tinha sido lançada há oito meses.
É quase igual à Estagiário recém-formado com anos de experiência.
E a gente ri, porque é engraçado mesmo, mas há um problema sério escondido atrás da piada. Alguém escreveu aquela descrição de cargo copiando um modelo antigo, trocou o nome da ferramenta e não parou pra pensar se o número ainda fazia sentido.
Ao menos espero que tenha sido dessa forma, porque a alternativa é impensável.
Três anos virou padrão de "requisito sério" faz tempo. Só que ninguém questiona mais de onde veio esse número, se ele ainda serve pra alguma coisa.
E o pior é o efeito colateral: quem realmente entende dessa ferramenta nova, porque testou, usou, quebrou a cara e aprendeu na prática nos últimos meses, é automaticamente descartado pelo filtro. Porque três anos, matematicamente, ainda não existem.
Sobra vaga aberta há meses.
Sobra recrutador reclamando que "não acha ninguém qualificado".
Sobra empresa competindo pela mesma tecnologia da vez com um processo seletivo que trava justamente quem já está mais avançado nela.
E sobra candidato desempregado que poderia estar gerando resultados.
Não é falta de talento no mercado.
Não é.
É descompasso entre o ritmo que a empresa diz que quer (rápido, ágil, na vanguarda) e o ritmo que o processo seletivo realmente segue (copiar e colar template de 2019).