Antes da ferramenta, a dor
A adoção de IA gera resultados quando parte de um problema real do negócio, com testes pequenos e medição de resultados, em vez de começar pela contratação de uma ferramenta. Comprar tecnologia antes de definir onde ela agrega valor tende a aumentar custos sem resolver as dificuldades existentes.
“Mas aqui não tem CTO.”
Pois é. E também não tem gerente de inovação, nem área estruturada para pensar tecnologia, nem alguém olhando o tema todos os dias.
Só que a decisão continua existindo.
Alguém vai decidir se usa IA, onde usa, quem pode usar, com quais dados, com qual ferramenta e, principalmente, para resolver o quê.
E muitas vezes esse alguém é você.
Aí, quando o assunto aparece, a primeira pergunta que você tem que responder: “Qual ferramenta eu devo contratar?”
ChatGPT? Copilot? Gemini? Azure? Algum SaaS novo que promete resolver metade da empresa até sexta-feira?
Eu entendo a pergunta e a ansiedade, de verdade, só que ela costuma chegar cedo demais.
Porque, antes de escolher ferramenta, talvez valha perguntar uma coisa mais chata, menos empolgante e muito mais útil, que é qual dor você está tentando resolver.
Já vi empresa contratar de tudo, inclusive ferramentas que tem IA embutida para, meses depois, continuar com o mesmo problema, só que agora pagando assinatura.
Por que?
Porque ninguém está usando de forma consistente, não teve processo redesenhado e nenhum ganho foi medido.
Não havia, de início, nenhuma clareza sobre onde aquilo deveria entrar no trabalho.
A ferramenta chegou, mas a dor ficou exatamente onde estava.
E isso não é culpa da IA.
É o jeito antigo de comprar tecnologia com uma embalagem nova: primeiro compra, depois tenta descobrir onde encaixa.
Na minha opinião o caminho deveria ser quase o contrário.
Olhar para uma dor real, testar pequeno com o que já existe, medir se melhorou alguma coisa e só depois decidir se faz sentido contratar, expandir ou padronizar.
Menos charmoso, claro.
Mas bem mais difícil de virar desperdício.
E aí, como está essa angústia de saber para onde ir agora?
Me conta aí.