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Bastiões da Mudança

07 de dezembro de 2015 • 5 min de leitura
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O Ataque Emocional Algo que muito tenho me questionado é até que ponto um profissional deve ir para defender a sua posição, o chamado status quo?

Bastiões da Mudança

O Ataque Emocional

Algo que muito tenho me questionado é até que ponto um profissional deve ir para defender a sua posição, o chamado status quo? Não é somente uma questão de defender o cargo, o emprego, mas sim de defender o status de como as coisas estão, da posição, da influência.

Parece que, para alguns, não há limites estabelecidos, não há condições éticas e morais que possam estabelecer uma quantidade tolerável de falcatruas, de conchavos, de promessas e de maledicências.

Quanto mais nos expomos, e quanto mais incentivamos e promovemos mudanças, tanto mais ficamos à mercê de ataques. A exposição é, por si só, uma bênção e uma praga.

O mais importante, entretanto, é manter a cabeça direcionada para a solução, encarando os problemas que advém das preocupações de forma pragmática e profissional. Não que eu acredite que devemos deixar de lado as pessoas, longe disso, mas ao ataque pessoal deve ressonar o profissionalismo, a técnica.

Quem é ou já foi vítima de ataques pessoais, de defesas de posição e de status, sabe que há alguns meios de se manter altivo.

Não permita que lhe atinjam


O profissional é sim o mesmo “ser” que o pessoal, porém quem ataca a pessoa no ambiente profissional é porque já não tem meios de se defender tecnicamente, ou então não sabe fazê-lo.

Reagir a esse tipo de ataque também de forma pessoal é justamente deixar de lado o seu profissional, ignorar as técnicas e rebater na mesma moeda. Esse tipo de reação causa reflexos e respinga em muitas pessoas, inclusive na sua família.

Permitir ou não que lhe atinjam pessoalmente é uma escolha. Em um momento você pode até se chocar, ou vergar, mas não pode deixar que lhe afetem a ponto de deixar você sem ação.

Mantenha a conduta

Quem lhe contratou, então, deve estar com muitas “pulgas atrás das orelhas”, pois nesse momento em que os ataques se iniciam muitas dúvidas surgem, fatos do passado são relembrados e toda a sua conduta é observada.

Simples: mantenha sua conduta, mantenha seus ideais e suas ideias, continue firme e, quanto a isso, não se vergue.

A resiliência serve para não lhe atingirem, mas se usada quanto à conduta, significa que você está sendo permissivo. Em verdade, neste item deve-se manter mais e mais firme, sempre.


Não se exima de responsabilidade

Você conhece alguém que passou a vida lavando pratos e pode dizer que não quebrou nenhum?

Pois bem, todos nós quebramos alguns pratos, todos nós erramos em algum momento. Se for o caso, não tenha vergonha ou medo: assuma a responsabilidade, aponte para si mesmo.

Essa transparência gera, de forma automática, confiança. Claro que isso leva tempo e que depende muito do tamanho do problema gerado e da qualidade de quem recebe suas desculpas, mas, em geral, assumir a responsabilidade é a melhor política.

O que nos leva a outro item:

Comunique sempre

Qualquer processo de mudança gera desconfiança, gera medo. E, muitas vezes, esse medo é o combustível para o ataque.

Quando não comunicamos de forma eficaz, permitimos ao outro que pense o que quiser, que deduza qualquer coisa a partir de qualquer fato ou de sua própria imaginação.

Por isso é importante que a comunicação de mudança seja constante, clara, transparente e objetiva. Não pode haver margem para dúvidas e, se houver, deve-se mudar o meio de comunicação para resolver o impasse.

E, ainda que você esteja no meio dos ataques, sempre é tempo de iniciar um plano de comunicação e deixar claro o que está sendo feito.

Cumpra suas promessas

Em um processo de mudança os prazos são importantes.

Não dar prazos ou falhar com eles é duplamente perigoso. Em primeiro lugar, todos que estavam, de alguma forma, confiantes no processo de mudança, perdem parte da confiança quando ela não acontece no prazo estipulado, ou quanto ela é só uma promessa, sem prazo definido. Por fim, aqueles que já estavam desconfortáveis recebem uma carga de combustível no formato de “eu não falei?”.

É sabido que durante o processo de mudança alguns prazos simplesmente viram fumaça, mas o gestor da mudança precisa informar isso, ainda que seja erro dele mesmo (assuma suas responsabilidades) ou de outros. É preciso dominar e ter controle da situação.

Nunca ataque de volta

Esta é uma regra que pode ser mais pessoal minha do que uma certeza absoluta, mas que, ainda assim, divulgo e propago: não se ataca de volta quem está reagindo, com medo, defendendo suas bases.

Note que, atacar de volta aqui significa devolver o ataque sob forma de contra ataque, com as mesmas armas do agressor.

Não podemos nos tornar os agressores. Não podemos deixar nossas bases, nossa ética, e revidar cada agressão.

Isso não significa, entretanto, deixar de demonstrar que há algo errado, deixar de demonstrar, com ética e transparência, que a mudança virá, ainda que demore mais, que doa mais ou que alguns finjam que ela não está aí.

Não desista

Por fim, nunca podemos desistir.

Quem é elemento de mudança sabe a diferença que pode fazer, sabe o quanto pode auxiliar e sabe que enfrentará muitos obstáculos, terá muitos acusadores, muitos maledicentes e muita farsa rondando.

Quem é elemento de mudança não consegue mudar sua natureza, e, assim, vai continuar na jornada até o fim, seja ele qual for.


Assim, o melhor é não lutar contra sua natureza: carregue o fardo com carinho e com a certeza de que, com ética e propósitos justos, você vencerá junto de quem merece!