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Depois de tantas eleições, a esperança já não é a mesma

23 de outubro de 2026 • 2 min de leitura
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Após décadas participando das eleições brasileiras, cresce o desgaste diante de promessas que se repetem, problemas que persistem e da dificuldade de encontrar representantes que correspondam às próprias expectativas.

Depois de tantas eleições, a esperança já não é a mesma

No próximo domingo, vou votar novamente para presidente do Brasil.


Já fiz isso muitas vezes. Vi candidatos chegarem prometendo mudanças, governos começarem com discursos de esperança e terminarem explicando por que tanta coisa não aconteceu.


E agora estamos aqui, de novo.


Não vou dizer que nada melhorou no Brasil durante todos esses anos. Seria injusto, e também não seria verdade.

Mas, sinceramente, depois de tantas eleições, tenho dificuldade de enxergar um retorno proporcional a tantas promessas, tantos impostos pagos e tantas oportunidades que tivemos de fazer as coisas de um jeito diferente.

Olho para trás e lembro de quantas vezes acreditei que estávamos escolhendo um caminho novo.

E aí chega outra eleição, e lá estamos nós discutindo educação, saúde, segurança, infraestrutura, desenvolvimento econômico... ouvindo promessas que, em muitos casos, eu já escutava quando era bem mais jovem.

Claro que existem avanços, pessoas sérias trabalhando e problemas que não se resolvem em quatro anos.


Eu sei disso.


Mas quantas eleições são necessárias para começarmos a perceber mudanças que não dependam de quem está ocupando a cadeira naquele momento?

E, pior, a cada eleição, parece mais difícil encontrar alguém que realmente represente aquilo em que acredito. A discussão vai ficando concentrada em quem precisa perder, em quem não pode ganhar, em quem é pior que o outro.

Já reparou como, muitas vezes, passamos mais tempo discutindo contra quem vamos votar do que aquilo que esperamos de quem será eleito?

Quando era mais jovem, eu olhava para uma eleição pensando no país que poderíamos construir.

Hoje, continuo querendo esse país. Só que já não consigo olhar para uma campanha com a mesma esperança.

Vou continuar votando. Continuo acreditando que participar importa e que abrir mão disso não resolve nada.

Mas confesso que estou cansado de chegar a cada eleição com a sensação de já ter passado por aquele mesmo lugar.


De conhecer as portas, os caminhos, as promessas...


E continuar procurando uma saída.