E quem pagou em dia?
Falta de empatia é fingir que milhões de famílias chegaram nessa situação por escolha simples. Tem gente que perdeu renda.
E quem pagou em dia?
Falta de empatia é fingir que milhões de famílias chegaram nessa situação por escolha simples.
Tem gente que perdeu renda. Tem gente que se endividou para sobreviver. Tem nome negativado impedindo recomeço.
Então, sim: algo precisa ser feito.
Mas também precisamos falar da outra parte.
Quando um programa oferece desconto de até 90%, uso do FGTS e bloqueio de apostas, ele revela que o problema é maior do que uma dívida atrasada. A dívida é só a parte visível do problema…
Ajudar quem está afundado é necessário.
Mas quem cortou gastos, adiou plano e pagou em dia também precisa sentir que responsabilidade vale a pena.
Esse é o ponto delicado.
Se a mensagem percebida vira "não pague agora, porque depois alguém resolve", criamos um problema novo tentando resolver o antigo.
E em ano eleitoral, qualquer debate fica mais contaminado.
Política pública não pode ser avaliada só pela intenção. Precisa ser avaliada pelo efeito que deixa depois.
Se apenas limpamos o nome de quem afundou em dívidas, sem discutir por que tanta gente continua afundando, seguimos confundindo socorro com solução.