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O dinheiro que sai da Nvidia e volta pra Nvidia

02 de setembro de 2026 2 min de leitura

Oracle, Nvidia, OpenAI e CoreWeave investem umas nas outras para sustentar a mesma demanda que projetam para si próprias, um padrão conhecido como financiamento circular. Ao mesmo tempo, a ação mais citada como prova da bolha de IA se tornou uma das mais baratas do índice que ela ajudou a inflar.

O dinheiro que sai da Nvidia e volta pra Nvidia

Larry Ellison, o dono da Oracle, anunciou um investimento de trezentos bilhões de dólares em um data center para rodar o modelo da OpenAI. A Nvidia, que é quem vende a GPU que "opera" esse data center, investiu cem bilhões na própria OpenAI. E ainda tem a participação na CoreWeave, que aluga computação pra quem, adivinha, também compra GPU da Nvidia.


Fechou o círculo? Fechou.


Isso se chama "financiamento circular". Eu não conhecia. O nome é bonito e eu fui pesquisar, mas o comportamento eu já tinha visto antes, com outro rótulo: fornecedor financiando o cliente pra ele comprar o próprio produto do fornecedor, girando o mesmo dinheiro dentro do mesmo grupinho até parecer demanda de mercado.


Já viu isso em outro setor? Eu já vi em ERP, em telecom, em concessão de infraestrutura.


Agora, isto aqui ninguém quer discutir: quando a receita de uma indústria inteira depende de empresas investindo umas nas outras pra sustentar a demanda que elas mesmas projetaram, isso não é golpe, nem fraude, nem nada ilegal. É só um jeito de fazer o número crescer rápido demais pra alguém parar e perguntar quem, no fim da fila, vai pagar a conta com dinheiro que não veio do próprio ecossistema.


Interessante, não é? Enquanto todo mundo grita "bolha", a ação da Nvidia caiu quase um trilhão de dólares em dois meses e ficou mais barata, em múltiplo de lucro, que o próprio S&P 500. A empresa mais citada como prova da bolha virou, ao mesmo tempo, uma das ações mais baratas do índice que ela mesma ajudou a inflar.


Eu também acreditei que desta vez o dinheiro era todo novo, vindo de fora do sistema. Não é. Boa parte gira dentro da própria roda, e roda rápido o suficiente pra ninguém perceber que é a mesma nota passando de mão em mão.


Bolha não estoura pelo tamanho do investimento, não é? Ela estoura quando alguém começa a perguntar quem vai pagar a conta. Até porque o cliente final, que (em tese) não tem participação em nenhuma das empresas do círculo, não deve aparecer. Com ou sem trezentos bilhões no orçamento.