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Os alunos já usam inteligência artificial, mas ainda falta professor na sala de aula

22 de outubro de 2026 • 2 min de leitura
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Pesquisa Datafolha revela que 71% dos estudantes de escolas públicas pesquisados já utilizam inteligência artificial para estudar, enquanto 66% dos alunos do Ensino Médio relatam períodos sem professor em algumas disciplinas. O contraste mostra que o acesso à tecnologia avança, mas a aprendizagem continua dependendo de orientação, acompanhamento e condições adequadas de ensino.

Os alunos já usam inteligência artificial, mas ainda falta professor na sala de aula

Setenta e um por cento dos estudantes de escolas públicas pesquisados pelo Datafolha já usam inteligência artificial para estudar, seja frequentemente ou às vezes.

Até aí, nenhuma grande surpresa, não é? A IA chegou aos estudantes e eles estão usando.

Mas foi outro número nessa pesquisa que me chamou muito mais a atenção.

No Ensino Médio, 66% dos alunos concordam, total ou parcialmente, que algumas disciplinas passam períodos sem professor.


Veja a situação.


O aluno chega em casa, abre o celular, pergunta para a IA, pede uma explicação, tenta resolver um exercício. Tem uma ferramenta disponível praticamente a qualquer hora, capaz de responder sobre quase qualquer assunto.

Só que, na escola, ele ainda pode encontrar uma disciplina sem professor, mesmo que temporariamente.

E, quando perguntados sobre o que esperam de uma escola melhor, os próprios estudantes apontam melhorias no ensino, nas aulas, na preparação dos professores e na aprendizagem.


É algo a se pensar.


Estamos discutindo como a inteligência artificial vai transformar a educação, criar aulas personalizadas, acompanhar o ritmo de cada aluno e ampliar o acesso ao conhecimento.

E tudo isso tem potencial, ninguém nega.

Mas quem percebe que o aluno entendeu a resposta sem compreender o raciocínio? Quem identifica uma dificuldade que ele próprio ainda não sabe explicar? Quem conhece aquele estudante o suficiente para perceber que alguma coisa não está indo bem?

A IA pode ajudar bastante nessas situações, mas alguém precisa orientar o aprendizado, acompanhar a evolução e saber quando interferir.

Também não creio que seja justo colocar essa responsabilidade inteira nas costas dos professores. Ausência de docentes, formação, contratação e condições de trabalho são problemas que não vão ser resolvidos por uma ferramenta de IA.

Eu defendo o uso da inteligência artificial na empresa, na vida e na educação. Acho até que precisamos ensinar nossos jovens a utilizá-la melhor, com senso crítico e responsabilidade.

Mas me preocupa a possibilidade de comemorarmos o acesso dos alunos a ferramentas cada vez mais sofisticadas enquanto ainda não conseguimos garantir algo que é o mínimo esperado e que eles próprios continuam pedindo.


Professor na sala de aula.


Fonte: Pesquisa Datafolha, divulgada pelo Todos Pela Educação em 15/10/2026.

Estudantes de escolas públicas querem ensino e aprendizagem melhores como prioridade dos próximos governos, mostra pesquisa - Todos Pela Educação