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Prefiro o robô

04 de agosto de 2026 1 min de leitura

Nove empresas de setores diferentes enviaram rejeições praticamente idênticas, revelando processos seletivos que automatizam até a suposta humanização. Um robô ao menos não disfarça impessoalidade com frases genéricas, carinho fabricado e “abraços” no final.

Prefiro o robô

Passei os últimos 27 anos comprando, defendendo e implementando sistemas. Ferramenta boa é a que economiza tempo de gente. Sempre acreditei nisso.


Aí juntei nove e-mails de "não foi dessa vez" que já recebi e resolvi colar um em cima do outro. Uma farmacêutica multinacional, uma rede de varejo, uma consultoria de implantação de ERP, empresas de tecnologia, todas de setores diferentes. E o texto? O mesmo. "Agradecemos seu tempo e dedicação." "Perfil mais alinhado com o momento." "Você permanece em nosso banco de talentos." "Torcemos pelo seu sucesso na jornada."


Interessante, não é? Nove empresas, um único roteiro.


Não é robô rejeitando currículo sem ninguém ver, isso eu já esperava, já escrevi sobre isso, já vi sistema que faz exatamente isso. É pior: é gente apertando o botão de um template que ninguém mais questiona. Porque um humano de verdade, lendo minha entrevista, teria uma frase, uma só, que não servisse para qualquer outro candidato de qualquer outra vaga do Brasil.


Quero ver é uma farmacêutica, uma rede de varejo e uma consultoria de ERP escreverem a mesma frase por coincidência.


Eu, particularmente, prefiro o robô. O robô ao menos é honesto sobre o que é.


Chamar isso de processo seletivo humanizado, com carinho, com "abraço" no final, é covardia.