Quando a decisão fica, mas o motivo desaparece
Empresas costumam registrar o que foi decidido, mas nem sempre preservam o contexto que levou à decisão. Quando o motivo desaparece, fica difícil saber se uma regra ainda faz sentido ou se continua sendo seguida apenas porque ninguém lembra por que ela nasceu.
Já encontrei muita história nas empresas.
Elas contam: "migramos para o fornecedor X", "descontinuamos o processo Y", "não fazemos mais desse jeito".
E a história é contada por muitas fontes. Boca a boca, documento, anotação...
Às vezes tem data, aprovação, às vezes até uma ata.
O que quase nunca está ali é o motivo.
Aí passa um ano, chega alguém novo e faz uma pergunta que, acredito, é bem razoável:
"Por que fazemos assim?"
Começa uma pequena arqueologia corporativa.
Procura e-mail antigo, pergunta para quem estava na época, tenta descobrir se o problema era custo, prazo, contrato, segurança, alguma limitação técnica...
Às vezes quem participou da decisão já saiu da empresa.
E saber isso é importante. Porque sem saber por que aquilo foi decidido, você também não consegue saber se a decisão ainda faz sentido.
Talvez continue fazendo.
Mas talvez aquela regra só existisse porque o fornecedor não entregava determinada funcionalidade, porque o orçamento era outro ou porque havia uma restrição que desapareceu seis meses depois.
Sem o contexto, sobra a decisão. O raciocínio que levou até ela desapareceu.
Eu já estive dos dois lados.
Já fui quem tomou uma decisão e registrou apenas o resultado porque, naquele momento, o motivo parecia óbvio.
E já fui quem chegou depois tentando entender uma escolha que parecia arbitrária justamente porque ninguém tinha guardado o raciocínio.
Hoje, quando a decisão é importante, tento deixar junto pelo menos o problema que estávamos tentando resolver, as alternativas que consideramos e por que escolhemos aquela.
Porque a empresa, na maior parte das vezes, costuma lembrar o que decidiu.
O que ela não costuma lembrar é por quê.