Quando a empresa precisa modernizar, mas o orçamento não permite
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Projetos de modernização tecnológica podem ser necessários e apresentar retorno financeiro, mas ainda assim precisar esperar. Quando o orçamento está comprometido, a decisão exige equilibrar investimentos, continuidade operacional e os riscos de adiar melhorias importantes.
Quase uma em cada cinco indústrias brasileiras considera que está endividada além do que deveria.
Um levantamento da CNI, repercutido pela Folha, ouviu 1.701 empresas. Dessas, 19,3% disseram estar com dívidas acima do nível desejado e 5,8% classificaram a situação como crítica.
E eu me peguei pensando no que acontece com os projetos de modernização quando o dinheiro começa a ficar curto.
Imagine uma indústria que precisa trocar o ERP. O sistema atual já dá sinais de desgaste, algumas integrações dependem de processos manuais, a manutenção está ficando cara e o projeto de substituição tem uma justificativa bastante razoável.
Só que a empresa não se resume à TI ou ao ERP. Máquinas estão precisando de manutenção, há fornecedores a pagar, estoque para financiar e compromissos bancários que vão vencer.
O projeto de TI pode até demonstrar retorno em três anos. Ou até menos. Mas a parcela do financiamento vence no mês que vem.
E aí?
Quem trabalha com tecnologia sabe como é frustrante ter um projeto tecnicamente bem fundamentado e descobrir que ele não será aprovado.
A primeira reação pode ser achar que a empresa não entende a importância da tecnologia ou que está sacrificando o futuro para resolver o presente.
Mas nem sempre é assim.
Uma coisa é reconhecer que determinado investimento precisa acontecer. Outra é conseguir assumir aquele compromisso financeiro agora, sem comprometer o restante da operação.
E acho que nós, profissionais de TI, precisamos compreender melhor essa diferença.
Porque, quando o orçamento aperta, defender um projeto não pode se resumir a demonstrar suas vantagens técnicas. É preciso discutir quanto custa esperar, o que pode ser feito em etapas, quais riscos aumentam com o adiamento e quanto dinheiro a empresa realmente consegue comprometer.
Também não significa aceitar qualquer corte. Adiar a substituição de um sistema que ainda funciona pode ser razoável. Adiar uma correção que coloca a operação inteira em risco é outra conversa.
Isso já aconteceu comigo. Não uma, mas várias vezes. E a decisão sempre foi pautada pela análise de quanto risco estávamos, enquanto empresa, dispostos a correr.
Porque, às vezes, a empresa precisa muito daquela tecnologia e simplesmente não tem condições de comprá-la naquele momento.
E, nessas horas, a decisão mais difícil pode ser justamente aquela que nós, da TI, não gostaríamos de tomar.
Fonte: CNI, levantamento repercutido pela Folha de S.Paulo em 16/10/2026.
Por Alexandre Aschenbach · 05 de novembro de 2026
https://aschenbach.com.br/blog/quando-a-empresa-precisa-modernizar-mas-o-orcamento-nao-permite