Voltar para a listagem

Quando a empresa precisa modernizar, mas o orçamento não permite

05 de novembro de 2026 • 2 min de leitura
Compartilhar

Projetos de modernização tecnológica podem ser necessários e apresentar retorno financeiro, mas ainda assim precisar esperar. Quando o orçamento está comprometido, a decisão exige equilibrar investimentos, continuidade operacional e os riscos de adiar melhorias importantes.

Quando a empresa precisa modernizar, mas o orçamento não permite

Quase uma em cada cinco indústrias brasileiras considera que está endividada além do que deveria.

Um levantamento da CNI, repercutido pela Folha, ouviu 1.701 empresas. Dessas, 19,3% disseram estar com dívidas acima do nível desejado e 5,8% classificaram a situação como crítica.


E eu me peguei pensando no que acontece com os projetos de modernização quando o dinheiro começa a ficar curto.


Imagine uma indústria que precisa trocar o ERP. O sistema atual já dá sinais de desgaste, algumas integrações dependem de processos manuais, a manutenção está ficando cara e o projeto de substituição tem uma justificativa bastante razoável.


Só que a empresa não se resume à TI ou ao ERP. Máquinas estão precisando de manutenção, há fornecedores a pagar, estoque para financiar e compromissos bancários que vão vencer.

O projeto de TI pode até demonstrar retorno em três anos. Ou até menos. Mas a parcela do financiamento vence no mês que vem.


E aí?


Quem trabalha com tecnologia sabe como é frustrante ter um projeto tecnicamente bem fundamentado e descobrir que ele não será aprovado.

A primeira reação pode ser achar que a empresa não entende a importância da tecnologia ou que está sacrificando o futuro para resolver o presente.


Mas nem sempre é assim.


Uma coisa é reconhecer que determinado investimento precisa acontecer. Outra é conseguir assumir aquele compromisso financeiro agora, sem comprometer o restante da operação.

E acho que nós, profissionais de TI, precisamos compreender melhor essa diferença.

Porque, quando o orçamento aperta, defender um projeto não pode se resumir a demonstrar suas vantagens técnicas. É preciso discutir quanto custa esperar, o que pode ser feito em etapas, quais riscos aumentam com o adiamento e quanto dinheiro a empresa realmente consegue comprometer.


Também não significa aceitar qualquer corte. Adiar a substituição de um sistema que ainda funciona pode ser razoável. Adiar uma correção que coloca a operação inteira em risco é outra conversa.

Isso já aconteceu comigo. Não uma, mas várias vezes. E a decisão sempre foi pautada pela análise de quanto risco estávamos, enquanto empresa, dispostos a correr.


Porque, às vezes, a empresa precisa muito daquela tecnologia e simplesmente não tem condições de comprá-la naquele momento.


E, nessas horas, a decisão mais difícil pode ser justamente aquela que nós, da TI, não gostaríamos de tomar.


Fonte: CNI, levantamento repercutido pela Folha de S.Paulo em 16/10/2026.