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Quando crescer custa mais do que continuar pequeno

03 de novembro de 2026 • 2 min de leitura
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A ampliação dos limites do MEI abre novas possibilidades, mas também expõe um dilema dos pequenos negócios: quando o aumento das obrigações tributárias e trabalhistas faz o empreendedor questionar se vale a pena crescer.

Quando crescer custa mais do que continuar pequeno

Crescer custa caro demais para as empresas e, às vezes, uma empresa pode escolher não crescer por conta disso.


Em 21/10/2026 foi sancionada a Lei Complementar 238/2026, que altera algumas regras para os microempreendedores individuais, os MEIs.

O limite anual de faturamento, hoje em R$ 81 mil, passará para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. A lei também amplia para até dois empregados a possibilidade de contratação nas atividades contempladas e prevê o perdão de determinadas dívidas federais, sujeito a condições.

A princípio são boas notícias para quem empreende, mas fiquei pensando numa situação que deve ser bastante comum.

Imagine alguém que começou trabalhando sozinho, conseguiu formar uma carteira de clientes e agora recebe mais pedidos do que consegue atender.

O negócio está dando certo, então seria óbvio contratar alguém para ajudar. De repente, comprar equipamentos.

Só que contratar significa assumir salário, encargos, férias, décimo terceiro e uma responsabilidade que continuará existindo mesmo quando as vendas diminuírem.

E faturar mais pode significar ultrapassar o limite de um regime tributário simplificado, passando a ter outras obrigações e custos.


Então o empreendedor faz as contas e decide não crescer.


Recusa um cliente, limita as vendas, adia uma contratação. Não é que falte ambição ou até capacidade de administrar o negócio. Ele só fez as contas e o faturamento adicional não compensaria as novas obrigações.

É interessante: todos queremos crescer, mas não além de determinado limite.

A nova lei amplia esse espaço, e certamente isso é positivo. Mas, pense comigo: quantos negócios acabam organizando suas decisões em função dos limites tributários, em vez das oportunidades que encontram no mercado?

Claro que existem razões para diferenciar a tributação conforme o tamanho da empresa. Um negócio pequeno não tem a mesma estrutura de uma organização com centenas de funcionários.

Mas será que a passagem de um porte para outro precisa representar uma mudança tão grande nas obrigações?

Não faz sentido para mim que as diferenças sejam tão grandes que levem um empreendedor que esteja com tudo pronto para crescer conclua que é melhor continuar pequeno.


Quanto crescimento já deixamos de ver acontecer por esse motivo?


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