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Quando crescer na carreira deixa de significar virar chefe

06 de outubro de 2026 • 2 min de leitura

Uma parcela relevante da Geração Z não quer ocupar cargos de gerência média e prefere crescer por trilhas individuais de especialização. O movimento chamado de “conscious unbossing” expõe uma mudança importante: ambição profissional e liderança de pessoas já não são vistas necessariamente como a mesma coisa.

Quando crescer na carreira deixa de significar virar chefe

Já escrevi sobre empresas achatando a estrutura e eliminando posições de gerência média.


Agora vamos ao outro lado da história.


Cinquenta e dois por cento dos profissionais da Geração Z pesquisados pela Robert Walters disseram que não querem ocupar cargos de gerência média.

E 72% preferem crescer por uma trilha individual, desenvolvendo conhecimento e habilidades, em vez de administrando pessoas.


Até deram nome: "conscious unbossing".


Interessante, não é?


Tem empresa perguntando se ainda precisa de tantos gerentes.

E tem gente jovem olhando para quem ocupa essas cadeiras e pensando se vale a pena sentar nelas.


Dá pra entender.


Na mesma pesquisa, 69% da Geração Z classificaram a gerência média como uma posição de muito estresse e pouca recompensa.


Eu nunca recusei, durante minha carreira, um convite para assumir um time ou uma responsabilidade maior.


Mas eu não sou Geração Z.


Por outro lado, já ofereci para algumas pessoas a oportunidade de crescer na hierarquia e elas recusaram.


Acredito que estávamos olhando para a mesma coisa: reunião atrás de reunião, pressão vindo de cima, problema chegando de baixo e praticamente nenhum tempo para fazer o trabalho que aquela pessoa conhecia bem.


Eu olhei para isso e aceitei.


Algumas pessoas que convidei também olharam. Disseram não.


Eu não me arrependo das escolhas que fiz, mas, sinceramente, não sei se faria exatamente as mesmas escolhas começando minha carreira nos dias de hoje.


Acho que entendo o que essas pessoas estão enxergando e, por isso, tenho dificuldade de chamar esse movimento de falta de ambição.


A pessoa pode querer ganhar mais, aprender mais, assumir projetos maiores, tomar decisões mais importantes, ser reconhecida pela experiência que acumulou...


Só não necessariamente quer fazer avaliação de desempenho, contratar, demitir, resolver conflito entre duas pessoas e passar metade da semana em reunião.


Durante muito tempo misturamos duas coisas diferentes: crescer na carreira e virar chefe.


Quem era tecnicamente muito bom chegava num certo ponto e encontrava praticamente uma saída: agora você lidera gente.


Inclusive gente que talvez nunca quisesse liderar.


A empresa reclama que está difícil encontrar bons gestores, mas continua tratando gestão como prêmio para quem foi muito bem fazendo outra coisa.


Ao mesmo tempo, muita trilha técnica ainda encontra um teto muito antes da trilha gerencial.


Então talvez esses 52% não estejam dizendo que não querem crescer, talvez só estejam fazendo uma conta que muita gente da minha geração também fez.


Só que, agora, estão perguntando o que a minha geração não perguntou: "Para crescer, precisa mesmo ser desse jeito?"