Quem cuida de quem cuida?
Levantamento mostra 64% dos profissionais de RH sobrecarregados e 72% fazendo hora extra semanalmente, mesmo sendo a área responsável por estruturar o bem-estar de toda a empresa. A carga emocional de gerir gente raramente é redistribuída ou reconhecida como trabalho real.
E aí, pessoal do RH, tudo bem com vocês?
Sessenta e quatro por cento dos profissionais de RH se dizem sobrecarregados.
Setenta e dois por cento fazem hora extra toda semana.
Mais da metade convive com algum problema de saúde mental, ansiedade principalmente.
São eles que estruturam o programa de bem-estar da empresa, que ouvem o time reclamando de sobrecarga, que desenham a política de saúde mental, a semana de conscientização, a palestra de autocuidado.
E quem cuida deles?
Já reparou nisso? A área destinada a cuidar de gente é, ela mesma, uma das mais esgotadas da empresa. Não por acaso: gestão de conflito, mudança organizacional, corte de pessoal, tudo isso passa pela mesa do RH, e passa emocionalmente, não só operacionalmente.
É um paradoxo: a empresa investe em bem-estar do time, monta lindos programas, contrata plataforma de saúde emocional e esquece completamente de perguntar como está quem administra tudo isso.
Não é sobre dar mais um benefício pro RH também, não é disso que se trata.
É sobre entender que carga emocional de gerir gente é carga real, mensurável, com custo real. É sobre perceber que empurrar essa carga infinitamente pra cima de uma única área, sem redistribuir, sem reforçar, sem escutar de verdade quem está do outro lado da mesa, também é uma forma de sobrecarga fabricada.
E aí, pessoal de RH, quem cuida de quem cuida da sua empresa?