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Quem realmente está recrutando?

18 de agosto de 2026 2 min de leitura

Automatizar o recrutamento sem revisão humana transforma eficiência em descuido e expõe a falta de governança no uso da IA. Quando máquinas escrevem vagas, avaliam candidatos e intermedeiam relações humanas sem critério, corre-se o risco de selecionar não a melhor pessoa, mas a IA mais eficiente de cada lado.

Quem realmente está recrutando?

Não estou reclamando da tecnologia. Longe de mim, que vivo incentivando o uso da IA.


Mas quando recebemos um e-mail que tem no final: "Se você quiser posso escrever com tom mais formal. Basta pedir!", ou uma mensagem no Teams que começa assim: "Segue a mensagem mais curta e em tom mais educado:"...


Não sei você, mas, de verdade, eu não consigo chamar de "profissional" quem enviou. Porque "profissional" usa IA sim, mas de forma responsável e cuidadosa.


E, quando encontramos uma vaga de emprego como essa da imagem... bem, é desastroso.

É desastroso porque o "profissional" que trabalha nessa empresa não teve orientação adequada.

É desastroso porque o "profissional" não tem cuidado. 

É desastroso porque a empresa não possui um processo HITL (Human-in-the-Loop).


Fala muito sobre a empresa. Muito mal.


Eu entendo, de verdade, que todos podemos errar. Eu também já errei, mas com menor exposição. É simples: o nível de preocupação e checagem tem que ser proporcional ao nível de risco e exposição.


Então o processo de escrever a descrição da vaga é automatizado?

Tá bom.

E quem decide como vai avaliar o candidato é a IA?

Tá bom não.


Mas tá rápido, né?


Se foi necessário perguntar para a máquina como avaliar os candidatos já na descrição de cargo, como você imagina que será a avaliação dos currículos?


"Gestão de Pessoas" agora é a IA conversando com a pessoa, sensibilidade zero, entendimento do ser humano zero.


"Gestão de Pessoas" sem "Pessoas", "Recursos Humanos" sem "Humanos".


De que adianta ficar mudando o nome?


E, se é assim do lado recrutador, não será diferente do lado de quem busca uma oportunidade.


Se a IA está sendo usada para recrutar, também será usada para se candidatar. Olho por olho, dente por dente.


E, no final, a empresa vai contratar o melhor candidato ou a IA que foi mais efetiva?


Não é uma reclamação, nem um desabafo. É uma constatação.


Constate você também.