Woke virou mais do que uma pauta.
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Virou rótulo. Arma política. Ferramenta de marketing. E agora, alvo. O curioso é que muita gente nem sabe mais o que a palavra significa.
“Woke” virou mais do que uma pauta.
Virou rótulo. Arma política. Ferramenta de marketing.
E agora, alvo.
O curioso é que muita gente nem sabe mais o que a palavra significa. O termo nasceu ligado à consciência sobre injustiça racial e desigualdade social dentro da comunidade negra americana.
Mas o mercado fez o que o mercado costuma fazer: transformou uma discussão complexa em posicionamento de marca.
Empresas começaram a disputar quem parecia mais consciente, mais alinhada, mais “correta”. Algumas por convicção. Outras porque perceberam valor reputacional nisso.
Só que discurso público sem profundidade costuma envelhecer rápido.
Agora vemos o movimento contrário crescendo. Pressão contra DEI, empresas recuando de campanhas, mudanças de linguagem, polarização política entrando no ambiente corporativo.
E talvez o desgaste tenha começado quando causas humanas passaram a ser tratadas como estratégia de posicionamento.
Tem diferença entre construir um ambiente respeitoso e transformar temas sociais em vitrine corporativa.
Quando a empresa levanta bandeiras bonitas, mas mantém lideranças tóxicas, desigualdade interna e incoerência no dia a dia, as pessoas percebem.
Mais cedo ou mais tarde.
O problema é que a reação raramente separa exagero de essência.
A crítica deixa de mirar a superficialidade. E começa a atingir a própria ideia de inclusão.
No fim, muita empresa descobriu tarde demais que cultura não se sustenta com campanha.
Porque valor que só aparece no discurso acaba parecendo produto de temporada.
Por Alexandre Aschenbach · 13 de maio de 2026
https://aschenbach.com.br/blog/woke-virou-mais-do-que-uma-pauta