Preencher o tempo
Existe uma possibilidade curiosa nessa história toda.
A tecnologia faz mais. A produtividade aumenta. Algumas tarefas desaparecem.
E nossos filhos talvez cresçam com algo que sempre foi escasso para nós: tempo.
Só que eu não tenho certeza de que sabemos muito bem o que fazer com ele.
Basta olhar para o que já fazemos quando aparece um espaço vazio na agenda de uma criança.
Mais um curso.
Uma atividade.
Um esporte.
Um conteúdo.
Alguma coisa para aprender, melhorar, desenvolver ou medir.
E fazemos algo parecido conosco.
Cinco minutos livres e pegamos o celular.
Uma tarde vazia e sentimos que deveríamos aproveitá-la.
Um hobby aparece e logo queremos melhorar nele, registrar, publicar, transformar em projeto.
Até o descanso começa a precisar ser produtivo.
Talvez nosso problema nunca tenha sido apenas falta de tempo.
Talvez também tenhamos desaprendido a aceitar que nem todo minuto precisa servir para alguma coisa.
Se nossos filhos realmente tiverem mais tempo do que nós tivemos, preparar essa geração para o futuro envolverá algo bastante estranho para quem passou a vida correndo:ensinar que uma tarde vazia não é necessariamente um problema a ser resolvido.
Tempo livre não precisa virar tempo preenchido.







