Falta de tempo
A maior parte de nós passou a vida aprendendo a administrar FALTA de tempo.
O prazo que vence, a agenda lotada, a reunião que podia ser um e-mail, o compromisso que era adiado, a entrega que precisava acontecer.
Sempre havia alguma coisa que precisava ser feita.
Ou que não ia dar para fazer.
Talvez nossos filhos tenham que aprender um problema diferente: o que fazer quando não há nada para fazer?
Parece simples.
Até você perceber o que nós mesmos fazemos quando aparecem cinco minutos vazios.
Pegamos o celular.
Abrimos alguma coisa.
Procuramos uma mensagem, um vídeo, uma notícia, uma tarefa.
Nós damos um jeito de PREENCHER o espaço vazio.
Talvez tenhamos ficado tão acostumados a viver ocupados que o vazio começou a parecer um problema que precisa ser resolvido.
E isso pode ficar interessante se a tecnologia realmente começar a assumir uma parcela maior das tarefas que hoje consomem nosso tempo.
Porque não basta devolver horas para alguém, é preciso saber o que fazer com elas. Ou até saber que, às vezes não é preciso fazer nada.
Ficar entediado.
Olhar pela janela.
Inventar alguma coisa sem objetivo.
Conversar sem ter assunto importante.
Aprender algo que não vai para o currículo.
Criar alguma coisa que não precisa virar produto.
Talvez isso também seja autonomia.
Porque, se toda hora liberada pela máquina virar simplesmente mais uma hora diante de outra máquina, fizemos uma troca bem ruim.
Não é?






